As orientações metodológicas deste curso, em consonância com a proposta pedagógica do Senac, pautam-se pelo princípio da aprendizagem com autonomia e pelo desenvolvimento de competências, conceituadas como “ação/fazer profissional observável, potencialmente criativa(o), que articula conhecimentos, habilidades, atitudes e valores e permite desenvolvimento contínuo” (SENAC, 2022)[1].
Para tanto, foi configurado um percurso metodológico que privilegia a prática pedagógica contextualizada e promove a mobilização e articulação dos conhecimentos, das habilidades e das atitudes necessários para a ação e a solução de questões inerentes à natureza da ocupação. Esse percurso é também orientado pelas Marcas Formativas Senac: domínio técnico-científico, visão crítica, colaboração e comunicação, criatividade e atitude empreendedora, autonomia digital e atitude sustentável, atuando com foco em resultados.
Dado que o uso de inteligência artificial se torna cada vez mais relevante para a atuação profissional no Setor de Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a Marca Formativa "Autonomia digital" desempenha um papel essencial na formação de profissionais capazes de integrar criticamente tecnologias emergentes em seus processos de trabalho, contribuindo para a inovação e a eficiência no ambiente profissional.
Nessa perspectiva, é apresentado, a seguir, um conjunto de atividades, estratégias pedagógicas e recursos didáticos que serve como referência para a elaboração do plano de trabalho docente do Senac. Essas estratégias pedagógicas podem ser ajustadas e complementadas, levando em consideração as especificidades da turma, as demandas do contexto educacional e os objetivos estabelecidos no plano de curso.
Para apoiar o planejamento e a execução das práticas educacionais, o Departamento Nacional recomenda consultar o site Espaço Docente, que apresenta uma seleção de recursos de incentivo à adoção de tecnologias digitais para apoiar abordagens inovadoras no processo de ensino-aprendizagem. Nesse site é possível acessar:
- plataforma Cachola:[2] ambiente de recursos educacionais do Senac que oferece materiais digitais para atender aos propósitos do MPS e promover o engajamento de alunos e docentes;
- plataforma Cubus:[3] oferece metodologias de ensino-aprendizagem, estratégias pedagógicas e dinâmicas projetadas para apoiar o processo educacional;
- Anuário de Tecnologias Educacionais[4]: apresenta conceitos, reflexões pedagógicas e uma seleção de ferramentas digitais alinhadas ao Modelo Pedagógico Senac, considerando o desenvolvimento de competências à luz de novas tecnologias;
- Mapeamento de Tecnologias Digitais[5]: busca identificar ferramentas que se alinhem à oferta educacional do Senac e compartilhar boas práticas adotadas pelos Departamentos Regionais.
Orientações metodológicas específicas para a unidade curricular:
UC1: Orientar os clientes em relação às mercadorias, produtos e serviços.
- Simulações de atendimento e dramatizações: recomenda-se que o docente desenvolva atividades práticas por meio das quais os alunos simulem o atendimento a diferentes perfis de clientes, considerando necessidades específicas, reclamações ou dúvidas frequentes no ponto de venda.
- Estudos de caso e rodas de conversa: podem ser propostos estudos de caso baseados em situações reais do comércio, seguidos de rodas de conversa que promovam a análise crítica sobre as atitudes no atendimento, incluindo acessibilidade e respeito à diversidade.
- Atividades colaborativas de melhoria do atendimento: sugere-se que os alunos desenvolvam roteiros de boas práticas de atendimento, a partir da observação ou pesquisa sobre experiências de compra em lojas da região.
- Dinâmicas interativas: estratégias como "juri simulado", debates sobre o Código de Defesa do Consumidor e atendimento humanizado podem ser utilizadas para estimular a empatia e a argumentação dos alunos.
Recursos
- Murais colaborativos, para organizar sugestões e boas práticas observadas pelos alunos nas simulações ou visitas.
- Mapas conceituais, para estruturar as etapas e tipos de atendimento e suas relações com os perfis de cliente.
- Vídeos demonstrativos e playlists do Senac Recomenda, com exemplos reais e simulados de atendimento ao cliente.
- Objetos digitais de aprendizagem (ODAs), como simuladores de atendimento, formulários digitais para pesquisa de satisfação, além de recursos de gamificação para treinar argumentação e escuta ativa.
UC2: Organizar e abastecer o ponto de venda com mercadorias e produtos.
Estratégias
- Simulações práticas de organização e reposição: os alunos devem praticar a aplicação de técnicas de exposição e abastecimento com base em visual merchandising e controle de estoque.
- Estudos de caso sobre falhas no abastecimento e perdas: indicados para exercitar a resolução de problemas e a tomada de decisão.
- Projetos colaborativos para organização de setor fictício: os grupos devem planejar e executar a organização de uma seção do PDV, reforçando trabalho em equipe, organização e responsabilidade.
Recursos
- Espaços simulados de PDV com prateleiras, etiquetas e cartazes promocionais: para práticas realistas de reposição.
- Planilhas de controle, aplicativos de inventário e modelos de layout: para visualização e organização dos processos.
- Murais colaborativos e mapas conceituais: para representar o layout, as estratégias de reposição e o controle de mercadorias.
- ODAs como planilhas interativas e jogos de simulação logística, além do Guia de Prática Docente do Modelo Pedagógico Senac (Espaço Docente).
UC 3 Projeto Integrador Repositor de mercadorias.
Criatividade e atitude empreendedora
Sugere-se que os alunos desenvolvam soluções inovadoras para melhorar o abastecimento e a apresentação das mercadorias no ponto de venda. As propostas podem incluir o redesign de layout de gôndolas, a criação de campanhas promocionais integradas à reposição ou o uso de ferramentas visuais para atrair o cliente e otimizar o fluxo do PDV.
Visão crítica
Recomenda-se a análise de situações-problema como perdas por validade vencida, falhas na reposição ou desorganização do estoque. Os alunos devem investigar as causas, propor alternativas e refletir sobre as consequências dessas falhas para a operação da loja e a experiência do cliente.
Colaboração e comunicação
Sugere-se que o projeto seja realizado em grupos, com tarefas divididas e momentos formais de comunicação, como reuniões e apresentações intermediárias. Entrevistas com profissionais da área, visitas técnicas e simulações de apresentação para gestores fictícios podem ser incluídas para fortalecer o trabalho em equipe e a expressão oral e escrita.
Autonomia digital
Indica-se o uso de ferramentas como planilhas eletrônicas, aplicativos de inventário, plataformas para criação de layout e sistemas colaborativos ao longo do projeto. Os alunos podem desenvolver protótipos digitais, painéis de acompanhamento ou relatórios interativos como entregas finais.
Atitude sustentável
Sugere-se a inclusão de reflexões sobre práticas sustentáveis no abastecimento, como redução de desperdício, descarte correto de materiais e organização com menor impacto ambiental. Os alunos podem pesquisar boas práticas no varejo sustentável e propor ações para o ponto de venda com base nessas referências.
[2] Recomenda-se o acesso à Cachola (https://cachola.senac.br/ ), que oferece recursos voltados à aplicação de tecnologias digitais no planejamento de situações de aprendizagem e ao estímulo de práticas pedagógicas inovadoras no contexto educacional.
[3] Desenvolvida em parceria com a OIT/Cinterfor – Centro Interamericano para o Desenvolvimento do Conhecimento na Formação Profissional da Organização Internacional do Trabalho, recomenda-se o acesso à Plataforma Cubus (https://cubus.oitcinterfor.org/).